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Clonezilla: como fazer clonagem de disco gratuita

24 de julho de 2026 12 min de leitura

Clonezilla: como fazer clonagem de disco gratuita e sem complicação

Trocar o HD por um SSD, aumentar a capacidade do servidor ou migrar para uma máquina nova costuma vir acompanhado de um medo real: reinstalar tudo do zero, perder configurações e parar a empresa por um dia inteiro. Existe uma forma de fazer essa clonagem de disco copiando exatamente o que já está instalado — sistema, programas e arquivos — sem gastar nada com licença de software. A ferramenta se chama Clonezilla, e é sobre ela que vamos falar neste artigo.

Se você já ouviu falar de programas pagos como Acronis True Image, Macrium Reflect ou o antigo Norton Ghost, o Clonezilla faz o mesmo tipo de trabalho — tanto em computadores comuns quanto em servidores — sem nenhum custo de licença.

O que é o Clonezilla e por que ele é 100% gratuito

O Clonezilla é um software livre e de código aberto, mantido desde 2007 pelo NCHC (National Center for High-Performance Computing), um centro de pesquisa de Taiwan. Por ser open source, não existe versão “trial”, “básica” ou “profissional” com funções bloqueadas — é a mesma ferramenta, completa, para quem for usá-la.

Ele roda a partir de um pendrive inicializável (não precisa estar instalado no computador) e opera num ambiente Linux independente, lendo a estrutura de partições e arquivos diretamente do disco — por isso funciona qualquer que seja o sistema operacional instalado na origem, mesmo que ele não esteja conseguindo iniciar. Por padrão, o Clonezilla copia apenas os blocos de dados realmente usados pelo sistema de arquivos (não o disco inteiro, espaço vazio incluso), o que deixa o processo mais rápido.

Quando vale a pena fazer uma clonagem de disco

A clonagem de disco resolve o problema nestas situações:

  • Trocar um HD antigo por um SSD, ganhando velocidade sem reinstalar nada;
  • Migrar o sistema para um disco maior, quando o espaço está acabando;
  • Substituir um disco que já apresenta sinais de falha, antes que ele pare de vez;
  • Trocar a máquina física de um servidor sem perder a configuração existente.

Esse último ponto merece atenção redobrada: discos rígidos mecânicos (HD) têm peças móveis e tendem a falhar mais que unidades de estado sólido (SSD) à medida que envelhecem. Naquele conjunto de discos de boot, a Backblaze — empresa especializada em armazenamento em nuvem que publica dados de milhares de discos — observou que a taxa de falhas dos HDs começou a acelerar no quinto ano de uso. Isso reforça a importância de agir de forma preventiva: clonar o disco para um novo antes que ele pare de funcionar, em vez de esperar o problema acontecer.

⚠️ Atenção: a clonagem de disco sobrescreve completamente tudo o que existir no disco de destino. Antes de começar, confirme com atenção qual disco é a origem (o que você quer preservar) e qual é o destino (o que será apagado). Um erro nessa escolha pode causar perda de dados irreversível.

Passo a passo: como usar o Clonezilla na prática

O processo completo acontece fora do sistema operacional, então funciona mesmo que o computador não esteja ligando corretamente. Abaixo, o caminho completo, na ordem exata das telas que você vai encontrar — sem pular nenhuma etapa, porque um erro de disco de origem/destino nessa lista não tem volta.

1. Baixe a imagem e prepare o pendrive

Baixe a versão stable no site oficial clonezilla.org/downloads.php. A forma de preparar o pendrive depende do tipo de boot da máquina onde ele vai ser usado:

  • Boot UEFI: a documentação do Clonezilla apresenta, para esse cenário, o método com o arquivo zip extraído direto numa partição FAT32 do pendrive, sem precisar de um programa gravador;
  • Boot Legacy (BIOS antiga, sem UEFI): aqui a documentação lista o Rufus como um dos métodos, usando o arquivo iso e esquema de partição MBR — a mesma documentação observa que um pendrive FAT preparado por esse caminho costuma inicializar tanto em modo Legacy quanto em UEFI.

Se não tiver certeza de qual boot a máquina usa, confira nas configurações da BIOS/UEFI antes de gravar o pendrive.

2. Conecte os dois discos e inicie pelo pendrive

Conecte fisicamente o disco de origem (o que você quer copiar) e o disco de destino (o que vai receber a cópia) na mesma máquina, antes de ligar. Entre na BIOS/UEFI e garanta que o boot está configurado para iniciar pelo pendrive — em algumas placas isso significa mudar a ordem de boot, em outras basta usar a tecla de boot rápido no momento de ligar a máquina (o atalho varia por fabricante — F12, F11 e Esc são bons pontos de partida para testar; confira o manual da placa-mãe ou notebook se nenhuma funcionar).

3. Escolha o modo de clonagem: device-device

Na primeira tela de opções, o Clonezilla pergunta entre duas formas de trabalhar:

  • device-image — gera um arquivo de imagem salvo em outro local (útil para backup, ou quando origem e destino não estão disponíveis ao mesmo tempo);
  • device-device — clona diretamente de um disco físico para outro, sem arquivo intermediário.

Com os dois discos já conectados na mesma máquina, o caminho é device-device.

4. Escolha o tipo de clonagem: disco inteiro ou só uma partição

A próxima tela pergunta entre disk_to_local_disk (clona o disco inteiro, com todas as partições de uma vez) e part_to_local_part (clona apenas uma partição específica). Para trocar um HD por um SSD ou migrar um servidor por completo, o certo é disk_to_local_disk.

5. Escolha o modo de assistente: Beginner

O Clonezilla oferece o modo Beginner (usa as opções padrão do programa, sem exigir escolher parâmetros avançados) e o modo Expert (permite ajustar manualmente cada parâmetro). Para o cenário deste guia — clonar um disco inteiro para outro — o modo Beginner já cobre o que é necessário.

6. Selecione o disco de origem — com calma

Aqui o Clonezilla lista todos os discos conectados, mostrando o nome (algo como sda, sdb, sdc), o tamanho e a interface de conexão (por exemplo, ata para um disco interno via SATA, ou usb-scsi para um disco externo via USB). Use essas informações para confirmar, sem dúvida, qual disco é o de origem — o que você quer preservar.

7. Selecione o disco de destino — decisão sem volta

Na tela seguinte, escolha o disco de destino entre os que sobraram na lista. Confirme mentalmente: “este é o disco que vai ser completamente apagado e substituído pela cópia”. Se em algum momento você não tiver certeza absoluta de qual disco é qual, pare e verifique fisicamente antes de continuar — essa é a decisão que não tem volta depois de confirmada.

8. Configure a verificação do disco de origem

O Clonezilla pergunta se deseja verificar o sistema de arquivos da origem antes de copiar:

  • -sfsck — pula a verificação; indicado quando a integridade do sistema de arquivos já foi conferida por outro meio;
  • -fsck — executa a verificação interativamente, pedindo confirmação a cada correção;
  • -fsck-y — executa a verificação e tenta corrigir automaticamente, sem pedir confirmação; a própria documentação do Clonezilla recomenda usar essa opção com cautela.

9. Defina como a tabela de partições será recriada no destino

Se os dois discos têm o mesmo tamanho (ou bem próximo), escolha -k0, que replica a tabela de partições exatamente como está na origem. Se o disco de destino é maior que o de origem, escolha -k1, que redimensiona a tabela de partições proporcionalmente e já amplia o sistema de arquivos para usar o espaço extra automaticamente — sem isso, o espaço a mais ficaria “preso”, sem uso, até você expandir manualmente depois.

10. Decida sobre o log e o que fazer ao terminar

O sistema pergunta se você quer salvar um log da operação no próprio pendrive (recomendado manter “sim”, para ter um histórico) e o que a máquina deve fazer ao concluir: perguntar o que fazer, reiniciar ou desligar automaticamente. A opção mais segura é deixar no modo que pergunta ao final, para você conferir se tudo terminou corretamente antes de decidir o próximo passo.

11. Leia a tela de confirmação final com atenção total

Antes de iniciar a cópia de fato, o Clonezilla mostra um resumo com o disco de origem e o de destino, seguido da listagem das partições que já existem no disco de destino — e um aviso em destaque de que todos os dados dele serão perdidos. Esta é a última chance de conferir se a direção está certa. Leia essa lista de partições: se ela mostrar algo inesperado (por exemplo, um sistema operacional funcionando, quando você esperava um disco novo ou vazio), pare e confirme antes de digitar qualquer coisa.

12. Confirme e acompanhe o processo

Só depois de validar tudo, digite y e pressione Enter para iniciar. Uma barra de progresso e a velocidade de transferência (em MB/s) vão aparecer na tela. Não desconecte nenhum dos dois discos enquanto o processo estiver rodando. O tempo pode ir de minutos a várias horas — depende do volume de dados efetivamente copiado, da velocidade dos discos e da interface usada (USB 2.0, USB 3.0 ou conexão interna SATA/NVMe fazem diferença real nesse tempo).

⚠️ Atenção: depois que a clonagem terminar, evite ligar a máquina com os dois discos conectados ao mesmo tempo. Origem e destino ficam com a mesma identificação de sistema de arquivos, e isso pode fazer o computador tentar iniciar pelo disco errado.

Clonezilla também clona Windows Server

Um dos pontos que mais surpreende quem conhece o Clonezilla pela primeira vez é a compatibilidade com o Windows Server. A ferramenta não precisa “entender” qual versão do Windows está instalada para copiá-la: como explicado acima, ela lê a estrutura de partições no nível de disco, qualquer que seja a versão do sistema.

Isso não elimina complicações em configurações específicas: um disco com BitLocker ativo, por exemplo, precisa ter a criptografia desativada antes de clonar — o Clonezilla não consegue ler os dados enquanto estiverem criptografados. Arranjos RAID controlados por hardware ou discos com blocos de 4K (4Kn) também podem exigir tratamento adicional. Para esses cenários, o mais seguro é contar com suporte técnico especializado.

Isso a torna uma alternativa interessante para pequenas e médias empresas que precisam trocar o disco de um servidor antigo — por exemplo, o servidor de contabilidade ou de um ERP local — sem o custo de uma licença de software comercial e sem depender de uma reinstalação completa do sistema. Se o problema do seu servidor não é o disco, e sim acesso perdido por uma senha de administrador esquecida, o caminho de solução é outro — vale a pena conferir.

Clonezilla x ferramentas pagas: vale a pena pagar?

Ferramentas como Acronis True Image, Macrium Reflect e AOMEI Backupper fazem o mesmo tipo de clonagem, com interface gráfica mais amigável e recursos extras, como backup incremental agendado. Fazem sentido quando a empresa já precisa de uma rotina de backup recorrente, com suporte oficial do fabricante.

Para uma clonagem pontual — trocar um disco, migrar um servidor — o Clonezilla entrega uma cópia completa e funcional do disco, sem custo de licença. Vale uma distinção importante: o próprio Clonezilla não foi feito para ser uma rotina de backup — ele não faz agendamento automático, versionamento nem cópias incrementais; é uma cópia completa, feita uma vez, no momento em que você decide rodá-la. Se a necessidade da empresa é manter os dados protegidos continuamente, não só no momento da troca de uma peça, isso é um problema diferente, que backup corporativo monitorado resolve.

Perguntas frequentes sobre clonagem de disco

Preciso pagar alguma licença para usar o Clonezilla na minha empresa?

Não. O Clonezilla é gratuito e de código aberto, sem limitação de uso comercial e sem versão paga. Você pode usá-lo em quantos computadores ou servidores precisar, sem custo adicional.

O Clonezilla funciona para clonar o servidor Windows Server da empresa?

Sim, para a estrutura geral de disco e partições — o mecanismo não depende de qual versão do Windows Server está instalada, nem de sistemas Linux. Um disco com BitLocker ativo precisa ser decriptado antes, e RAID controlado por hardware pode exigir cuidados extras.

É seguro fazer isso sozinho ou preciso de um técnico?

A ferramenta em si tem histórico sólido: existe desde 2007 e é mantida por um centro de pesquisa, não por uma empresa que pode descontinuar o produto. O ponto de atenção não é a ferramenta, é o processo — escolher corretamente qual disco é origem e qual será sobrescrito como destino. Para servidores ou máquinas críticas para a operação da empresa, o mais seguro é contar com suporte técnico especializado.

Uma ferramenta gratuita, mas que pede cuidado técnico

O Clonezilla resolve, sem custo, o problema descrito neste guia: trocar ou migrar um disco sem perder tempo reinstalando tudo do zero. Ele funciona tanto em computadores do dia a dia quanto em servidores de missão crítica, como os que rodam o sistema contábil ou o ERP da empresa. O ponto de atenção fica por conta da escolha correta entre disco de origem e disco de destino — um cuidado que faz toda a diferença entre uma migração tranquila e uma perda de dados evitável.

Se a sua empresa depende de um servidor ou de máquinas que não podem parar, veja como funciona o backup corporativo monitorado da Thompsontech — ou fale com a gente no WhatsApp para tirar dúvidas antes de qualquer troca de disco.

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