PJeOffice Indisponível: por que o erro aparece mesmo com tudo certo (e como resolver de vez)
Se você trabalha em escritório de advocacia ou contabilidade, já deve ter vivido isso: está na hora de protocolar uma petição, o prazo está correndo, e o PJe devolve a mensagem “PJeOffice Indisponível — O aplicativo PJeOffice não está disponível!” — mesmo com o certificado digital válido, o Java instalado e o PJeOffice aberto na bandeja do sistema.
A maioria dos tutoriais na internet manda reinstalar o Java, trocar o certificado ou desativar o antivírus. Nós testamos tudo isso num atendimento real, do jeito mais chato possível: sem pular etapa, sem adivinhar. E descobrimos que, pelo menos numa fatia real dos casos, nenhuma dessas causas é a verdadeira — é uma mudança recente de segurança do próprio navegador, batendo de frente com um jeito antigo de o PJe conversar com o computador do usuário.
Neste artigo, mostramos o diagnóstico completo, passo a passo, até a causa raiz confirmada — com prints reais do Console do navegador — e a solução que funcionou.
O que o PJeOffice faz, de forma simples
O PJeOffice é um programinha que fica rodando escondido no seu computador (você vê o ícone dele perto do relógio, na bandeja do Windows). Quando você clica em “Assinar Documento” no PJe, o site não acessa seu certificado digital diretamente — por segurança, ele pede pro PJeOffice fazer isso, e o PJeOffice devolve a assinatura pronta pro site.
Essa conversa entre o site do tribunal (que roda na internet) e o PJeOffice (que roda no seu computador) é onde mora o problema.
Os suspeitos de sempre — e por que descartamos cada um
Antes de chegar na causa real, testamos tudo que qualquer guia por aí recomenda:
Certificado vencido ou corrompido? Não. Testamos diretamente na interface do próprio PJeOffice (acessando 127.0.0.1:8800 no navegador) e ele leu o certificado perfeitamente, com todos os dados corretos e validade em dia.
PJeOffice travado ou não instalado? Não. Confirmamos via terminal (comando netstat) que o processo do PJeOffice estava ativo e escutando normalmente na porta local dele.
Conflito com outro assinador digital (Shodô)? Essa era uma hipótese forte — a máquina tinha os dois aplicativos instalados ao mesmo tempo, cada um numa porta diferente. Fechamos o Shodô completamente. O erro continuou.
Antivírus bloqueando a comunicação? Ficou na lista, mas antes de desativar qualquer proteção (o que não recomendamos como primeiro passo — desligar antivírus expõe a máquina sem necessidade), fomos direto na fonte: o Console de Desenvolvedor do navegador.
A causa real: CORS bloqueando uma chamada feita à moda antiga
Abrimos o Console do navegador (tecla F12, aba Network) e clicamos em “Assinar Documento” prestando atenção no que o site tentava fazer naquele exato momento. A resposta apareceu clara:
“Access to image at ‘http://localhost:8800/pjeOffice/…’ from origin ‘https://pje.tjes.jus.br’ has been blocked by CORS policy: Permission was denied for this request to access the loopback address space.”
Traduzindo: o PJe está pedindo a assinatura ao PJeOffice como se estivesse carregando uma imagem — uma técnica de comunicação antiga, de quando os navegadores eram bem menos rígidos com segurança. O Chrome (e o Edge, que usa o mesmo motor) passou a exigir permissão explícita sempre que um site tenta “conversar” com algo rodando no seu computador (127.0.0.1 ou localhost) — uma proteção chamada Local Network Access Checks, criada para impedir que sites maliciosos acessem roteadores, câmeras e outros aparelhos da sua rede.
O problema é que essa permissão normalmente aparece como um pop-up perguntando “Permitir” ou “Bloquear” — só que esse pop-up só é oferecido para chamadas modernas. Para uma chamada feita “disfarçada de imagem”, como o PJe está fazendo, o navegador simplesmente bloqueia, sem nem oferecer a opção de permitir. Por isso, liberar manualmente a permissão de “Rede local” no site (o que tentamos primeiro, e é a orientação mais comum) não resolve nesse cenário específico: não existe pop-up de permissão pra aceitar.
⚠️ Atenção: essa política do Chrome está sendo implantada de forma gradual desde a versão 142. Se o seu PJeOffice funcionava normalmente até pouco tempo atrás e começou a falhar do nada, sem nenhuma mudança feita na sua máquina, essa atualização silenciosa do navegador é a explicação mais provável.
A solução que funcionou
Como o bloqueio acontece antes mesmo do pop-up de permissão aparecer, a saída é desativar essa checagem específica no navegador:
- Abra uma nova aba no Chrome
- Cole exatamente:
chrome://flags/#local-network-access-check - Aperte Enter
- Vai aparecer destacada a opção “Local Network Access Checks” — mude de Default para Disabled
- Clique no botão Reiniciar, que aparece no rodapé da tela
- Volte para o PJe, faça login novamente se necessário, e tente assinar de novo
No nosso atendimento, funcionou de primeira depois desse ajuste. O mesmo procedimento se aplica ao Microsoft Edge, trocando chrome://flags por edge://flags na barra de endereço.
Se o navegador não tiver a opção de flags disponível (algumas versões corporativas bloqueiam isso via política), o Firefox continua sendo um caminho alternativo válido — ele não aplica essa checagem específica.
Por que vale a pena confirmar a causa antes de sair trocando peça
Esse atendimento levou bem mais tempo do que precisava porque seguimos, em ordem, as causas “óbvias”: certificado, Java, conflito de aplicativo, antivírus. Todas descartadas com evidência, uma por uma — sem isso, teria sido fácil reinstalar o PJeOffice, trocar o certificado do cliente ou desligar a proteção da máquina à toa, sem nunca chegar na causa de verdade.
Isso vale como lição pra qualquer problema de TI: sintoma parecido não significa causa igual. O mesmo erro PJeOffice indisponível pode ter origem em coisas completamente diferentes — e resolver o cenário errado só atrasa quem depende daquele sistema funcionando.
Perguntas frequentes
Preciso desativar meu antivírus para resolver esse erro?
Não, na maioria dos casos. O bloqueio identificado aqui acontece no próprio navegador, não no antivírus. Desativar proteção deve ser sempre o último recurso, testado com cautela, nunca o primeiro passo — e só depois de confirmar que realmente é essa a causa.
Essa solução funciona em qualquer tribunal que usa o PJe?
O PJe está implantado em dezenas de tribunais em todo o país, cada um com pequenas variações na implementação do frontend. A causa (comunicação via imagem bloqueada por CORS) tende a se repetir onde essa técnica antiga ainda está em uso, mas o caminho definitivo é sempre corrigir isso no lado do sistema do tribunal — a solução do navegador é um contorno temporário, não uma correção permanente.
Desativar essa checagem no Chrome deixa meu computador mais vulnerável?
Reduz uma camada específica de proteção contra sites tentando acessar dispositivos da sua rede local sem permissão. Para uso pontual, em uma máquina de trabalho com antivírus ativo, o risco é baixo — mas o ideal é ativar de novo assim que os tribunais atualizarem seus sistemas para o novo padrão de segurança dos navegadores.
Se você não tem certeza do que está causando o problema no seu escritório
Cada uma das etapas deste artigo — desde ler o Console do navegador até confirmar qual processo está usando qual porta — exige alguma familiaridade técnica. Se seu escritório depende do PJe pra trabalhar e você não se sente seguro mexendo nessas configurações sozinho, especialmente com prazo processual em jogo, o mais seguro é chamar quem lida com isso todos os dias.
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